(Deixa- me apagar a luz para ter coragem de dizer)
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Ainda permaneço dentro de um casulo envolvido num cheiro estupidamente fecal.
Sei que sou pura e simplesmente a única culpada deste estado sorrateiramente inerte ao que me encontro, se é que posso usar a palavra encontro no atual sentido ao qual permaneço.
Estou triste comigo...talvez decepcionada seria o termo certo,uma vez que eu me entrego as ruínas de mim mesma, sem nem ao menos cogitar a possibilidade de me desvencilhar abruptamente deste abraço negro o qual me envolvo cada vez mais.
Querer sentir o prazer ao qual eu nunca tive, se torna cada vez mais utópico, porque eu me pego agora, lembrando dos mais ou menos meia duzia de momentos aos quais realmente me fizeram sentir viva.
Já não consigo escrever com o mesmo tesão de menina pseudo- rebelde ao qual achei que sempre fosse parte de mim. Tenho dedos largos, longos e caleijados, que tão pouco perdem o interesse por qualquer coisa que me faça por um unico instante criar.
E as músicas que já não me embalam mais, se empoeiram diante do meu pouco caso.
(Como um tablete de chocolate meio amargo no intuito de só sentir o sabor)
Come chocolates pequena...
Alvaro de Campos agora me dá um sabor triste e envelhecido, porque eu talvez tenha esquecido de virar a tal pagina, ou porque decorei muito bem seu melancólico "tabacaria" e repito quase que minuto a minuto sua primeira estrofe:
"não sou nada
nunca serei nada
a parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo"
Só não quero perder meu sonho de menina, aquele que me faz parecer uma gigante. Eu ainda quero dançar descalças e soltar uma gargalhada barulhenta.
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(deixa me acendera a luz e não mais me ver refletida por hoje...)
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