Monday, July 24, 2006

Talvez eu de fato esteja ficando louca, porque a necessidade de escrever me corrói entranhas a dentro... mas essa é mais uma daquelas minhas tantas vontades que eu vou largando pelo caminho.
De repente eu me trancafio, não porque eu quero, ou talvez, eu queira sim, só que de forma modéstia, sutil mesmo, para que ninguém perceba que as vezes eu possa ficar em frangalhos.
Me sinto como uma bola de carne, cada vez mais gorda e menos compacta, e isso ajuda a me enfurnar ainda mais no meu quarto e chafurdar minhas dores e dissabores.
Eis que sempre fui melancólica, mas agora uma dor quase que letal me asfixia dia após dia, os meus sonhos estou largando todos de mão.
Enquanto finalmente eu não uso mais sutiã para dormir e deixo meus seios respirarem, pousarem sobre meu corpo e desabrocharem como flor, quando o sol reflete em meu rosto sobre a fresta da velha janela de aluminio, as lembranças que mais um dia vai começar me assusta.
Porque eu sei que vou ser hipocrita e abandonar pelo caminho as sementes que joguei, sei que não vou voltar para adubar porra de terra nenhuma, por mais que eu tenha vontade.
Ando tão carente que não me reconheço nas coisas que escrevo, embora algumas raras vezes eu me enxergue suplicando por ajuda entre uma palavra e outra.
A carência me faz pensar estar apaixonada e eu não sei como agir numa situação dessas.
Definitivamente não sei não.
Meus cabelos encaracolados, selvagem como a minha lingua, está num mix de cantora de mpb com libertação zen, porque é tão dificil me situar? me achar?
Agora eu quero aquela taça da estante, para enchê-la de vinho barato, acender um incenso e ouvir qualquer musica minuciosamemte melancólica.
Talvez é isso que eu faça agora.
Só eu...
Isa

Thursday, June 29, 2006

dentro do casulo

dentro do casulo

Eu bem que tentei me libertar dia desses... e não foi nem por medo.
Ora essas, eu queria simplesmente não ter que ser tão racional.
Eu me impulsionei, liguei pra você e até conversei horas a fio sobre amenidades...
...amenidades...
Tão logo me preparei com aquele cheirinho de bebê porque eu sei que você gosta de sentir em mim tanto quanto eu. Me preparei pra mim, numa noite friorente, e no fundo eu sabia que te encontraria.
E lá estava... eu vi Dom Quixote sem sua armadura e sem seu fiel cavalinho, mas diferente da pobre amada, eu sou de uma arrogancia surreal, mesmo quando eu sei que consegui abrir um dos meus chacras.
Sim...eu abri minha percepção como eu nunca havia feito, e mesmo longe de uma taça de cristal, regada a vinho,eu observei aquele Dom Quixote franzinho e tão lindo.
E nada fiz, porque o medo de ser julgada por talvez estar psicodelicamente etilica, me fez calar e te deixar ir embora.
Deixei vc ir, assim como eu deixo meu silêncio reinar.
Eu só queria te fazer um carinho...

Sunday, June 18, 2006

Imagine

Então tá..
É mais ou menos assim:
"Você tem um amigo viado que a meses atras foi expulso pelo seu pai do seu quarto, simplesmente pq era o estereótipo de um macho que sentava minuciosamente no carpete do seu quarto, e desde então o gay te lançou flertes desde os mais bizarros até os mais (in)discretos, sumiu depois de um bom tempo, sentiu ciúmes notaveis das suas possiveis paqueras e relações de amigos, sumiu de novo, cobrou sua ausência, te ligou, sumiu, e repentinamente nos ultimos dias tem deixado recados de voz no seu celular um tanto quanto estranhos...e isso não é tudo? Te ligou e te disse que estava num hospital psiquiatrico, que descobriu que te ama, quer casar com vc e não te perder nunca? Gritou seu nome inumeras vezes e chorou feito uma criança solitária?"
Imagine...
honey...ainda estou aturdida imaginando tudo...
namastê

Thursday, June 15, 2006

Click

(Deixa- me apagar a luz para ter coragem de dizer)
Click
Ainda permaneço dentro de um casulo envolvido num cheiro estupidamente fecal.
Sei que sou pura e simplesmente a única culpada deste estado sorrateiramente inerte ao que me encontro, se é que posso usar a palavra encontro no atual sentido ao qual permaneço.
Estou triste comigo...talvez decepcionada seria o termo certo,uma vez que eu me entrego as ruínas de mim mesma, sem nem ao menos cogitar a possibilidade de me desvencilhar abruptamente deste abraço negro o qual me envolvo cada vez mais.
Querer sentir o prazer ao qual eu nunca tive, se torna cada vez mais utópico, porque eu me pego agora, lembrando dos mais ou menos meia duzia de momentos aos quais realmente me fizeram sentir viva.
Já não consigo escrever com o mesmo tesão de menina pseudo- rebelde ao qual achei que sempre fosse parte de mim. Tenho dedos largos, longos e caleijados, que tão pouco perdem o interesse por qualquer coisa que me faça por um unico instante criar.
E as músicas que já não me embalam mais, se empoeiram diante do meu pouco caso.
(Como um tablete de chocolate meio amargo no intuito de só sentir o sabor)
Come chocolates pequena...
Alvaro de Campos agora me dá um sabor triste e envelhecido, porque eu talvez tenha esquecido de virar a tal pagina, ou porque decorei muito bem seu melancólico "tabacaria" e repito quase que minuto a minuto sua primeira estrofe:
"não sou nada
nunca serei nada
a parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo"
Só não quero perder meu sonho de menina, aquele que me faz parecer uma gigante. Eu ainda quero dançar descalças e soltar uma gargalhada barulhenta.
Click
(deixa me acendera a luz e não mais me ver refletida por hoje...)

Ainda